terça-feira, setembro 29, 2009
Auto-destruição
Há uma dor hospedada em mim.
Clandestina, fugitiva, transferida...
Vasculho minhas moradas, tento desabrigá-la,
mas se esconde experiente e astuta em suas estratégias.
Preciso encontrá-la. Quem sabe tomar conselhos...
Sua resistência e força absorvidas da minha fraqueza,
o poder de uma palavra que a potencializa,
um gesto inesperado que a jaz, agonizante e mórbida.
Eu seria mais interessante se pudesse ser como a dor...
Ao menos sei que marcaria profundamente a vida de alguém,
mais do que como o amor.
O amor é altruísta demais e, por assim ser,
distrai e mal acostuma a quem atinge, sempre servil e bajulador,
advogado pronto para defender, juiz resoluto a absolver.
Já a dor escraviza, castiga, consome e desespera,
despertando, por fim, sua vítima (se sobrevivente).
Talvez vença a guerra mais acirrada, mas, na maioria das vezes,
essa vilã (pouco reconhecida) é que capacita seu soldado.
Se o sofrimento contribui para a lapidação do caráter humano,
bem como quebranta um coração ultrajado pelo orgulho,
é preciso derrotar-se a si mesmo para renascer. E isso dói.
Estamos dispostos a morrer para nascer de novo?

0 comentários:
Postar um comentário